A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), registrou no domingo (30) boletins de ocorrência na Polícia Federal e na Polícia Civil. O motivo: cartazes anônimos colados em muros do Bairro do Recife que a acusam, sem prova, de ter matado o marido, o empresário Fernando Lucena, para vencer a eleição de 2022. A Folha, o g1 e o Valor Econômico publicaram o caso nesta segunda-feira (31).
Um dos cartazes traz a foto da governadora com a frase "ela matou o marido para ganhar a eleição". Outro a coloca ao lado de Elize Matsunaga e da ex-deputada Flordelis, ambas condenadas por crimes ligados à morte dos maridos, sob a inscrição "matadoras de maridos". A coligação Pernambuco de Coração classificou o material como violência política.
Lucena morreu aos 44 anos no dia do primeiro turno de 2022, vítima de infarto. O pedido enviado ao Ministério Público Eleitoral nesta segunda afirma que a morte foi por causa natural, sem suspeita de ação criminosa.
O que a polícia e o MPE registraram
A Polícia Civil de Pernambuco informou ao g1 que investiga um caso de calúnia registrado na tarde de domingo pela Delegacia pela Internet. As diligências, segundo a nota da corporação, visam identificar a autoria. A Polícia Federal em Pernambuco não se manifestou.
A coligação da governadora protocolou nesta segunda o pedido no Ministério Público Eleitoral. Os advogados pedem preservação de imagens de câmeras públicas e privadas perto dos muros, identificação da gráfica ou fornecedor e oitiva de quem encontrou o material.
Liminar do TRE e a reação na campanha
Ainda no domingo, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco determinou a retirada de publicações que associavam João Campos (PSB) e a Frente Popular à produção dos cartazes. A liminar do desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo cita postagens do candidato ao Senado Mendonça Filho (PL), do candidato a deputado estadual Ni do Badoque (PSD) e do blogueiro Ricardo Antunes. A Meta tem duas horas após a notificação para tirar o conteúdo, sob multa diária de R$ 10 mil. Cada um dos três citados responde a multa individual de R$ 25 mil se não excluir as postagens.
Campos publicou vídeo em que chama os panfletos de "completo absurdo" e afirma que quem atribuir o material a ele responderá criminalmente. A Frente Popular também acionou o Ministério Público Eleitoral. Mendonça Filho disse que a decisão se cumpre e que o vídeo já foi substituído por outro de solidariedade à governadora. Ivan Moraes (Psol), também candidato ao governo, pediu identificação e punição de quem produziu os cartazes.



