domingo, 1 de novembro de 2026 · Edição diária

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Altman diz que RAM de PC fica parada 95% do tempo e defende concentrar a memória nos data centers

Em entrevista ao podcast Cheeky Pint, o CEO da OpenAI afirmou que a DRAM de um computador pessoal é usada só 5% do tempo e que, com a oferta restrita, o componente deveria ser mais aproveitado na nuvem.

Fileiras de servidores em um data center
Sam Altman, CEO da OpenAI, disse que a memória disponível no mundo rende mais quando fica concentrada em data centers. Foto: 首相官邸ホームページ / Office of the Prime Minister of Japan Official / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que manter grandes quantidades de memória RAM em computadores pessoais é desperdício diante da escassez global do componente, segundo reportagem do Olhar Digital publicada neste domingo (1º). Ele deu a declaração ao podcast Cheeky Pint, numa conversa sobre os gargalos nas cadeias de suprimentos de tecnologia.

Altman parte de uma questão de alocação. Se a oferta mundial de DRAM é limitada, diz ele, concentrar essa capacidade em data centers permitiria usá-la melhor do que espalhá-la por milhões de máquinas domésticas.

Os 5% que sustentam a tese

O número central da fala é o uso da memória nos computadores dos consumidores. Na tradução publicada pelo Olhar Digital, Altman disse:

"Do ponto de vista da alocação global, é realmente péssimo que todo mundo tenha uma parte da oferta limitada de DRAM do mundo parada no próprio computador, sendo utilizada apenas 5% do tempo."

Em seguida, afirmou que, num ambiente de oferta muito restrita, o objetivo deve ser a utilização máxima na nuvem. Se a DRAM de um PC trabalha 5% do tempo, fica ociosa nos outros 95%, e é essa diferença que o executivo quer ver deslocada para os servidores.

A crítica aos modelos que rodam no computador

Altman também questionou a ideia de que modelos de IA de código aberto, executados direto nas máquinas dos usuários, poderiam reduzir a necessidade de grandes centros de processamento. De acordo com o Olhar Digital, muita gente acredita que rodar modelos localmente resolveria parte da demanda por infraestrutura de IA. Para o CEO, essa estratégia não é necessariamente a melhor forma de distribuir um recurso em falta.

O veículo não informa a data da entrevista nem quais modelos Altman tinha em mente ao falar.

Quem disputa a produção de RAM

A fala vem de uma das compradoras desse mercado. Segundo o Olhar Digital, Samsung e SK Hynix firmaram acordos de longo prazo com operadoras de nuvem e com projetos como o Stargate, iniciativa da OpenAI. Esses contratos reservaram uma parcela relevante da produção mundial de RAM para os próximos anos.

O site registrou ainda que, em 31 de outubro, Altman visitou a Samsung para discutir o futuro dos chips de IA. A declaração ao podcast é o dado novo em relação à visita: ela mostra a lógica que a OpenAI defende em público para a escassez de memória.

Quem paga a conta nos eletrônicos

Grandes empresas dispostas a pagar bilhões de dólares pelos chips deixam menos componentes para outros segmentos, segundo o Olhar Digital. O site descreve como efeito o encarecimento de produtos como notebooks e smartphones. Em agosto, o mesmo veículo noticiou que a Nvidia subiu os preços de servidores de IA por causa da alta da memória.

Para o consumidor, a tese de Altman chega acompanhada de um custo já visível: quanto mais memória for reservada por contrato aos data centers, menos sobra para o mercado de aparelhos pessoais.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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