O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que manter grandes quantidades de memória RAM em computadores pessoais é desperdício diante da escassez global do componente, segundo reportagem do Olhar Digital publicada neste domingo (1º). Ele deu a declaração ao podcast Cheeky Pint, numa conversa sobre os gargalos nas cadeias de suprimentos de tecnologia.
Altman parte de uma questão de alocação. Se a oferta mundial de DRAM é limitada, diz ele, concentrar essa capacidade em data centers permitiria usá-la melhor do que espalhá-la por milhões de máquinas domésticas.
Os 5% que sustentam a tese
O número central da fala é o uso da memória nos computadores dos consumidores. Na tradução publicada pelo Olhar Digital, Altman disse:
"Do ponto de vista da alocação global, é realmente péssimo que todo mundo tenha uma parte da oferta limitada de DRAM do mundo parada no próprio computador, sendo utilizada apenas 5% do tempo."
Em seguida, afirmou que, num ambiente de oferta muito restrita, o objetivo deve ser a utilização máxima na nuvem. Se a DRAM de um PC trabalha 5% do tempo, fica ociosa nos outros 95%, e é essa diferença que o executivo quer ver deslocada para os servidores.
A crítica aos modelos que rodam no computador
Altman também questionou a ideia de que modelos de IA de código aberto, executados direto nas máquinas dos usuários, poderiam reduzir a necessidade de grandes centros de processamento. De acordo com o Olhar Digital, muita gente acredita que rodar modelos localmente resolveria parte da demanda por infraestrutura de IA. Para o CEO, essa estratégia não é necessariamente a melhor forma de distribuir um recurso em falta.
O veículo não informa a data da entrevista nem quais modelos Altman tinha em mente ao falar.
Quem disputa a produção de RAM
A fala vem de uma das compradoras desse mercado. Segundo o Olhar Digital, Samsung e SK Hynix firmaram acordos de longo prazo com operadoras de nuvem e com projetos como o Stargate, iniciativa da OpenAI. Esses contratos reservaram uma parcela relevante da produção mundial de RAM para os próximos anos.
O site registrou ainda que, em 31 de outubro, Altman visitou a Samsung para discutir o futuro dos chips de IA. A declaração ao podcast é o dado novo em relação à visita: ela mostra a lógica que a OpenAI defende em público para a escassez de memória.
Quem paga a conta nos eletrônicos
Grandes empresas dispostas a pagar bilhões de dólares pelos chips deixam menos componentes para outros segmentos, segundo o Olhar Digital. O site descreve como efeito o encarecimento de produtos como notebooks e smartphones. Em agosto, o mesmo veículo noticiou que a Nvidia subiu os preços de servidores de IA por causa da alta da memória.
Para o consumidor, a tese de Altman chega acompanhada de um custo já visível: quanto mais memória for reservada por contrato aos data centers, menos sobra para o mercado de aparelhos pessoais.



