A Samsung Electronics estimou nesta quarta-feira (7) um lucro operacional de 107,4 trilhões de wons (US$ 80,17 bilhões) para o terceiro trimestre, de julho a setembro, segundo reportagem da Reuters publicada pela InfoMoney. No mesmo período de 2025, o resultado foi de 12,17 trilhões de wons. A projeção equivale a quase nove vezes o lucro de um ano antes.
O número também ficou acima do esperado pelo mercado. A estimativa da LSEG SmartEstimate era de 106,1 trilhões de wons. Será o quarto trimestre seguido de lucro operacional recorde para a companhia, que a reportagem descreve como a maior fabricante mundial de microprocessadores de memória.
De onde vem o salto
A Samsung também prevê que a receita do trimestre cresça 127%, para 195 trilhões de wons. De acordo com a reportagem, o motor é a demanda por chips de memória usados em inteligência artificial, que se acelerou nos últimos meses.
Há duas frentes. Uma é a memória de alta largura de banda, a HBM, usada para processar grandes volumes de dados em sistemas de IA. A outra é a escassez de chips DRAM e NAND convencionais, que empurrou os preços para cima e elevou a margem de quem vende esses componentes.
A Samsung não divulgou, nesta prévia, o lucro por divisão de negócios. Esse detalhamento deve sair ainda neste mês, com os resultados completos. Até lá, não é possível separar quanto do ganho veio de HBM e quanto veio da alta de preço dos chips tradicionais.
Oferta de chips não acompanha os data centers
A reportagem afirma que a demanda por infraestrutura de IA cresce mais rápido que a oferta de chips de memória, e que essa diferença deve persistir até 2027. É uma avaliação atribuída à cobertura da Reuters, não uma meta da empresa.
Para a Samsung, isso significa preço firme e fábricas ocupadas por mais alguns trimestres. Para quem compra, o efeito é o contrário: servidores, data centers e treinamento de modelos dependem desses componentes, e o custo deles entra na conta de quem monta infraestrutura de IA.
O que isso pesa para quem compra tecnologia
O resultado mostra que boa parte do dinheiro gasto em IA no mundo está chegando aos fabricantes de memória. Empresas que planejam ampliar capacidade de computação, inclusive no Brasil, disputam os mesmos chips com os grandes compradores globais, e a própria Samsung diz que a oferta não acompanha o consumo.
A reportagem não trata do mercado brasileiro, e este texto não estima efeito direto sobre preços locais. O que está documentado é a pressão de preços em DRAM e NAND no mercado global. Os resultados detalhados da Samsung, previstos para este mês, devem mostrar quanto dessa receita vem de cada negócio.



