A rede social X ampliou, na noite de 25 de agosto de 2026, a lista de contas de candidatos bloqueadas para recomendação automática, de 665 para quase 2.400 perfis, depois que o Tribunal Superior Eleitoral identificou falha no filtro que deveria impedir a plataforma de indicar publicações de candidatos a quem não os segue. A informação é do Poder360 e do InfoMoney.
A regra eleitoral em vigor proíbe que redes sociais recomendem, de forma automática, conteúdo de candidatos a usuários que não os seguem, ressalvadas as publicações impulsionadas mediante pagamento. O objetivo é impedir que o algoritmo amplifique candidaturas sem que o eleitor tenha escolhido acompanhar aquele perfil. A determinação vale para todas as redes sociais monitoradas pelo tribunal, mas foi no X que a falha veio a público até agora.
A falha que deixou dois terços dos candidatos de fora
Antes da correção, a lista de restrição do X continha apenas 665 contas, número muito abaixo das mais de 2.100 candidaturas registradas na Justiça Eleitoral. Na prática, cerca de dois terços dos candidatos ficaram fora do filtro, e perfis de diferentes partidos e correntes políticas continuaram aparecendo na aba Para Você para usuários que não os seguiam, em violação à regra do tribunal, segundo o Poder360.
A plataforma corrigiu o problema na terça-feira, 25 de agosto, ampliando a lista para quase 2.400 perfis, número que supera o total de candidaturas oficialmente registradas até aquele momento. A correção não apaga, porém, o fato de que a falha inicial expôs uma distância entre o número de candidatos registrados e o que a empresa efetivamente monitorava para cumprir as decisões do TSE.
Coligação de Lula aciona o tribunal
Na quarta-feira, 26 de agosto, a coligação que apoia a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva recorreu ao TSE para pedir que o X seja formalmente notificado sobre o episódio. O pedido também exige que a plataforma mantenha o filtro sincronizado de forma contínua com a base de dados oficial da Justiça Eleitoral, em vez de fazer apenas atualizações pontuais. O processo tem como relatora a ministra Estela Aranha.
Entre os pontos cobrados pela coligação ao tribunal está a preservação de registros técnicos que permitam auditar, depois da eleição, se a plataforma cumpriu a determinação durante todo o período eleitoral, e não apenas nos dias em que o episódio veio a público.
TSE cobra sincronia contínua e registro para auditoria
O caso ganhou um capítulo diplomático. Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública, chamou a exigência do TSE de censura imposta pelo Brasil, segundo o Poder360. A fala amplia o atrito entre autoridades americanas e o tribunal eleitoral em torno das regras de moderação de conteúdo aplicadas às big techs no país.
Para o X, o episódio deixa uma obrigação prática: manter o filtro atualizado à medida que novas candidaturas são registradas ou impugnadas, sob risco de nova notificação do TSE caso a lista de restrição volte a ficar defasada em relação ao cadastro oficial até o fim da eleição.



