A Universidade Federal de Minas Gerais ligou na terça-feira (27) um supercomputador batizado de "Soberano", voltado ao processamento de geoinformações com inteligência artificial, segundo a CNN Brasil. O equipamento foi instalado pelo Instituto de Geociências da UFMG e soma oito aceleradores Nvidia H200, com 141 gigabytes de memória cada, reunidos em um servidor dedicado ao treinamento de modelos de IA.
Ao sistema se somam dez nós de processamento com 256 núcleos e 768 gigabytes de memória cada, além de cerca de 400 terabytes de armazenamento paralelo e uma rede interna de 100 gigabits por segundo. A Escola de Engenharia da UFMG instalou, no mesmo lançamento, uma câmera hiperespectral Hyper-cam Mini XLW, que opera no espectro infravermelho longo e tem apenas três exemplares em funcionamento no mundo, segundo a reportagem.
Por que só 8% do Brasil tem mapa detalhado
O projeto nasce de uma lacuna apontada pela própria universidade: apenas 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro têm mapeamento na escala 1:25.000, a mais detalhada usada em planejamento ambiental e de infraestrutura. A proposta do Soberano é usar IA para acelerar a extração de geoinformação a partir de imagens de satélite e aéreas e reduzir esse déficit.
A coordenadora do projeto GeoIDE (Extração de Geoinformação com IA para Aplicações Duais), professora Sônia Carvalho, do Departamento de Cartografia do Instituto de Geociências, disse que o lançamento marca a entrada da universidade na liderança da modelagem ambiental por meio da nova infraestrutura computacional.
Uso dual entre meio ambiente e defesa
O financiamento veio da chamada "Centros Temáticos", lançada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em 2023, que destina recursos públicos a infraestrutura de pesquisa. A UFMG não divulgou o valor do investimento, mas uniu ao projeto dois parceiros ligados à área de defesa: o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Diretoria de Serviço Geográfico do Exército.
O professor do IME, coronel Ivanildo Barbosa, disse que a instituição vive um momento de transformação provocado pela inteligência artificial nos processos de cartografia. Segundo a UFMG, as aplicações previstas incluem combate ao desmatamento e à mineração ilegal, monitoramento ambiental, resposta a inundações e deslizamentos, vigilância de fronteiras e planejamento estratégico militar, o que caracteriza o uso dual do sistema entre finalidades civis e de defesa.
Quem vai poder usar os dados do supercomputador
O nome "Soberano" foi escolhido para reforçar que o sistema permanece sob domínio de instituições públicas brasileiras, em um momento em que o país discute dependência de provedores estrangeiros de computação para treinar modelos de IA. A infraestrutura reúne o Instituto de Geociências, a Escola de Engenharia, o IME e o Exército em um mesmo projeto, o que amplia o número de órgãos públicos com acesso direto aos dados gerados pela cartografia feita com IA.
A UFMG não informou cronograma de entrega dos primeiros mapas produzidos com o novo sistema, nem se os dados ficarão disponíveis a outras universidades ou órgãos estaduais de meio ambiente fora do consórcio atual.



