O voo que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para fora do Brasil foi contratado e pago por um intermediário, por meio de uma conta bancária nos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira (30) à AFP o empresário argentino Luis Grande, dono da companhia aérea Baires Fly. As informações foram reproduzidas pelo Poder360.
Grande disse que o pagamento somou US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil. Segundo ele, o dinheiro saiu de uma conta da empresa do intermediário em um banco americano e foi transferido para uma instituição financeira argentina. O empresário não revelou quem é o intermediário.
Um broker na Flórida e um contratante desconhecido
De acordo com Grande, a contratação veio de um broker que ele conhece há dez anos, que vende voos e mora nos EUA. O jornal argentino Perfil já havia divulgado que o intermediário tem dupla nacionalidade, argentina e americana, e vive na Flórida.
O dono da Baires Fly disse ainda que não sabe quem contratou o intermediário. Segundo ele, o próprio broker também desconhecia o contratante antes da operação. A cadeia de pagamento, portanto, termina em um nome que nenhuma das duas pontas identificou publicamente.
O New York Times, citado pelo Poder360, informou que o assessor de comunicação da Casa Branca Jason Miller providenciou o jato particular. A Casa Branca não se manifestou oficialmente, e a informação não foi confirmada pela Baires Fly.
Passaportes, investigação e entrada nos EUA
Flávio, a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas adolescentes deixaram o Brasil na noite de terça-feira (27). Cruzaram a fronteira com a Argentina, fizeram uma breve parada no Equador e chegaram a Miami na manhã de quarta-feira (28).
A saída ocorreu depois de a Polícia Federal intimar o senador a entregar os passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Moraes também havia decidido que ele não poderia deixar o território brasileiro. A medida integra uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro com uso de empresas de apostas e de evasão de divisas, que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Segundo o New York Times, Donald Trump autorizou a entrada temporária da família pelo mecanismo de parole, usado em casos de urgência humanitária ou de benefício público. Uma autoridade americana disse ao jornal que Flávio poderá pedir green card mais tarde.
O que Flávio diz e o que falta esclarecer
Flávio perdeu a eleição presidencial de 25 de outubro e não reconheceu a vitória de Lula. Em nota divulgada ao chegar aos EUA, chamou a si mesmo de líder do Brasil. Uma versão anterior o descrevia como verdadeiro presidente eleito, e o trecho foi alterado cerca de uma hora depois.
Questionado sobre a viagem, ele negou ter fugido e disse ter saído de um regime de exceção para poder ser o líder que seu povo merece. Sem apresentar provas, associou a vitória de Lula a um golpe de Estado.
Para a investigação em curso, o ponto prático é a origem do dinheiro: quem financiou os US$ 150 mil e por que o pagamento passou por um intermediário. Até agora, as informações vêm do dono da companhia aérea e de reportagens da imprensa estrangeira. A defesa de Flávio não foi citada sobre o pagamento na matéria do Poder360.



