Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta nesta quinta-feira (22) ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, segundo o g1. O documento cobra explicações sobre denúncias de tratamento desigual entre as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas plataformas da empresa, três dias antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para este domingo (25).
Entre os episódios citados na carta está a recusa da inteligência artificial do WhatsApp em criar imagens para a campanha de Lula, enquanto aceitava pedidos semelhantes relacionados a Flávio, de acordo com o g1. Os parlamentares também apontam a desativação da conta de anúncios de Lula no Facebook em 23 de setembro, onze dias antes do primeiro turno, e uma restrição que impediu a campanha petista de impulsionar publicações no Instagram por quase 24 horas, entre 9 e 10 de outubro.
Segundo o levantamento citado na carta, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de visualizar anúncios da campanha de Lula durante esse segundo episódio, sem explicação da Meta.
O que o Congresso quer saber
Os parlamentares pedem uma reunião para esta sexta-feira (23) e respostas por escrito até 4 de novembro, de acordo com o g1. As perguntas enviadas a Zuckerberg incluem as regras de moderação de conteúdo aplicadas a eleições fora dos Estados Unidos e qualquer comunicação entre a Meta e integrantes do governo de Donald Trump sobre o Judiciário ou o processo eleitoral brasileiro.
A carta também questiona quando a empresa identificou as diferenças de tratamento entre as duas campanhas, como funciona o sistema de revisão humana das restrições automáticas e se auditores independentes terão acesso aos dados internos de moderação, segundo o g1.
A resposta da Meta e a multa do TSE
A Meta informou ter implementado 17 medidas até 20 de outubro, entre elas um sistema de revisão humana para restrições em contas de anúncios, com análise em até duas horas, segundo o g1. A empresa afirma tratar as duas campanhas de forma igual nas plataformas que opera no Brasil.
O Tribunal Superior Eleitoral já havia multado a Meta em 15 de outubro por descumprir decisões sobre tratamento equânime entre os candidatos. Quatro dias depois, o TSE dobrou o valor da penalidade, segundo o g1, diante de novas denúncias de desequilíbrio entre as contas de Lula e Flávio nas redes da empresa.
O prazo que pode virar caso no Congresso americano
A data de 4 de novembro marca o limite dado pelos parlamentares para que a Meta responda por escrito às perguntas enviadas a Zuckerberg. O prazo cai nove dias após o segundo turno, o que deixa a empresa sob fiscalização do Congresso americano mesmo depois de a eleição brasileira estar decidida.
Para a Meta, o episódio soma mais uma frente de pressão à que já enfrenta no Brasil, onde o TSE aplicou duas multas em outubro. A exigência de acesso de auditores independentes aos dados internos de moderação, se aceita, abriria uma porta pouco comum: hoje, a empresa decide por conta própria o que divulga sobre suas próprias regras de recomendação e publicidade política.


