O deputado federal Aécio Neves (PSDB) deve anunciar nesta sexta-feira (28) sua candidatura ao Senado por Minas Gerais, depois que dois concorrentes da própria coligação renunciaram para abrir caminho ao seu retorno à disputa eleitoral. A informação é do Valor Econômico, que noticiou nesta quinta-feira (27) as renúncias de Gustavo Galassi (PSDB) e Marcelo Heringer (PDT).
Galassi, que concorria pelo PSDB, protocolou a desistência da candidatura no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais na quinta. Heringer fez o mesmo movimento pelo PDT, segundo o Valor. As duas saídas abrem a vaga ao Senado para que Aécio dispute pela coligação que reúne PSDB, Cidadania e PDT, a mesma legenda que sustenta a candidatura de Alexandre Kalil ao governo de Minas Gerais.
A articulação partiu dos presidentes estaduais das duas siglas, Paulo Abi-Ackel, da federação PSDB/Cidadania, e Mário Heringer, do PDT, que divulgaram nota conjunta na quarta-feira (26) pedindo que Aécio reconsiderasse a decisão de ficar fora da disputa em 2026. O texto cita a experiência do deputado, a capacidade de articulação em Brasília e a atuação dele em temas como a dívida de Minas Gerais com a União, de acordo com o Poder360.
O anúncio de saída da política que durou três semanas
No início de agosto, Aécio havia comunicado que não seria candidato a nenhum cargo em 2026, encerrando 40 anos de mandatos consecutivos iniciados com a eleição para deputado federal em 1986. Depois disso, governou Minas Gerais por dois mandatos, ocupou uma cadeira no Senado, presidiu a Câmara dos Deputados e voltou ao mandato de deputado federal em 2022, segundo o jornal O Tempo. À época, disse que sua prioridade passaria a ser liderar, à frente do PSDB, um projeto novo para o país, segundo o Correio da Manhã.
Ainda em agosto, antes das renúncias desta semana, Kalil já havia dito, em entrevista ao UOL citada pelo Correio da Manhã, que reservava uma vaga ao Senado para Aécio na chapa e que o ex-governador foi julgado e absolvido em processos por corrupção. Segundo o colunista Tales Faria, do mesmo jornal, Aécio vinha sendo pressionado por aliados, empresários e eleitores a reverter a desistência, mesmo após o prazo oficial de registro de candidaturas ter se encerrado em 15 de agosto.
A decisão inicial de não concorrer tinha respaldo eleitoral: o jornal O Tempo informou que Aécio enfrentava rejeição próxima a 40% entre os nomes cotados ao Senado mineiro, apesar do desempenho competitivo nas pesquisas de intenção de voto para a vaga. Mesmo assim, a pressão dos dois partidos aliados prevaleceu sobre esse cálculo interno.
Por que o PSDB quer Aécio na chapa de Kalil
A vaga ao Senado interessa diretamente à campanha de Kalil ao governo de Minas Gerais, hoje comandado por Mateus Simões (PSD), que tenta a reeleição. Também concorrem ao governo estadual Patrus Ananias (PT) e Gabriel Azevedo (MDB). Carlos Mosconi é o vice na chapa de Kalil, apoiada pela federação PSDB/Cidadania e pelo PDT, segundo o O Tempo.
Quem sai do páreo e o que muda na chapa mineira
Aécio preside hoje o PSDB em nível nacional, o que deu peso ao pedido dos correligionários mineiros em ano de eleição presidencial. Com Galassi e Heringer fora da disputa e o anúncio previsto para a sede do partido em Belo Horizonte nesta sexta, a coligação de Kalil passa a contar com um nome de maior densidade eleitoral na única vaga isolada ao Senado, o que a legenda avalia como forma de reforçar o tempo de propaganda e o desempenho da chapa estadual até outubro.
Fontes consultadas
- Valor Econômico — Candidatos da chapa de Kalil renunciam para Aécio ser único postulante ao Senado em MG
- Rádio Itatiaia — Com Aécio no páreo, candidato do PSDB ao Senado apresenta renúncia ao TRE-MG
- Poder360 — PSDB, Cidadania e PDT pedem que Aécio Neves dispute o Senado
- O Tempo — Aécio decide não disputar eleições neste ano após 40 anos de mandatos consecutivos
- O Tempo — "Distante do radicalismo", PSDB anuncia aliança com PDT por candidatura de Kalil
- Correio da Manhã — Aécio Neves avalia voltar atrás na desistência ao Senado



