domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Caixa trava decisão irreversível de agente de IA e Itaú monta time de 90 pesquisadores

Em painel do Febraban Tech 2026, executivo da Caixa disse que o banco evita delegar decisões sem volta a sistemas autônomos, enquanto o Itaú já reúne 90 pesquisadores dedicados a agentes de IA.

Executivos de bancos em painel sobre governança de agentes de inteligência artificial
Painel do Febraban Tech 2026 reuniu executivos de Caixa, Itaú Unibanco e especialistas para discutir limites de agentes de IA nos bancos. Foto: Pexels / Vladimir Srajber

Executivos da Caixa e do Itaú Unibanco debateram, em painel do Febraban Tech 2026 dedicado à governança de agentes de inteligência artificial, até que ponto os bancos aceitam delegar decisões a sistemas autônomos, segundo reportagem do Convergência Digital publicada nesta sexta-feira (28). O painel "Quem controla os agentes? Riscos, governança e ética em ambientes de múltiplos agentes" reuniu representantes de bancos, do setor de tecnologia e da academia.

Sandoval César de Oliveira Mendonça, superintendente de arquitetura de TI da Caixa, disse que a diferença entre um sistema tradicional e um agente de IA está na previsibilidade. "No sistema tradicional, quando você programa, é possível reproduzir o mesmo comportamento", afirmou. Essa garantia, segundo ele, desaparece quando o agente ganha autonomia para agir sozinho, e é isso que hoje limita quais tarefas a Caixa delega a esses sistemas.

Mendonça defendeu também restrições ao acesso dos agentes aos sistemas internos do banco. "As APIs continuarão existindo, mas o agente não pode ter autonomia para acessar todas as APIs dentro do banco. Do mesmo modo que identificamos pessoas, teremos que identificar agentes", disse.

O time de 90 pesquisadores do Itaú

No Itaú Unibanco, a resposta ao mesmo risco seguiu outro caminho, o de investir em pessoal dedicado ao tema. Roberto Frossard, head de emerging tech do banco, disse que a instituição montou um centro de pesquisa com cerca de 90 pesquisadores internos e reúne outros 200 profissionais, brasileiros e estrangeiros, que atuam com agentes de IA.

Mesmo com a estrutura montada, Frossard disse que o banco ainda não sabe como vai lidar com falhas cometidas por sistemas autônomos.

Quem responde pelo erro do agente

A dúvida sobre responsabilidade apareceu também na fala de Juliano Maranhão, professor da Faculdade de Direito da USP. Segundo ele, atribuir culpa a uma máquina esbarra em um princípio do próprio Direito, que associa a responsabilização à intencionalidade, um traço humano.

Neli Freitas, presidente da Risck Women, disse que a autonomia dada a um agente precisa ser definida caso a caso por cada empresa. "Autonomia de agentes não é um interruptor que liga e desliga, o que exige supervisão, e o que o agente pode conduzir sozinho deve ser desenhado milimetricamente pelas corporações", afirmou. Camila Achutti, CEO e fundadora da Mastertech, disse que as regras internas de governança ainda estão em construção junto com o próprio uso da tecnologia. "Os agentes nascem das pessoas e seus desafios. Não dá para organizar a casa antes que as pessoas testem", afirmou.

O limite que ainda falta desenhar

As falas do painel mostram que Itaú e Caixa, apesar de estratégias diferentes (um aposta em equipe interna de pesquisa, o outro em restrição de acesso a sistemas), esbarram no mesmo limite: nenhum dos dois bancos está disposto, por ora, a deixar um agente de IA tomar sozinho uma decisão que não possa ser desfeita. Isso restringe o tipo de tarefa que essas ferramentas assumem hoje dentro das instituições, mesmo com o investimento em equipes dedicadas ao tema.

Para o cliente, o efeito prático aparece na velocidade com que a IA passa a decidir sobre questões sensíveis, como aprovação de crédito ou movimentação de valores. Enquanto bancos e especialistas em Direito não definirem quem responde por uma falha cometida por um agente, esse tipo de decisão deve seguir passando por supervisão humana antes de ser executada.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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