A Anthropic anunciou nesta quinta-feira (27) o Model Hardware Standard, um padrão que permite a agentes de inteligência artificial operar diretamente equipamentos de laboratório, como microscópios, braços robóticos e dispensadores de líquido, segundo comunicado da empresa citado pela Folha de S.Paulo. A ferramenta usa comandos simples de leitura e escrita para ligar softwares de IA a máquinas que antes precisavam de integração feita sob medida para cada fabricante.
De semanas para horas na bancada do laboratório
O padrão é compatível com o Model Context Protocol, hoje usado para conectar modelos de IA a ferramentas digitais, mas agora aplicado a hardware físico. Segundo a Anthropic, a Carnegie Mellon University reduziu de semanas para 8 horas o tempo de integração de seus equipamentos ao sistema. Já a QuEra Computing, especializada em computação quântica, relatou taxa de sucesso de 99,3% na calibração de lasers, ante 58% no método anterior, com o tempo de cada operação caindo de 150 para 6 segundos.
Outros parceiros do período de testes incluem o laboratório farmacêutico Genentech, a Universidade de Washington e o centro de pesquisa HHMI Janelia, que unificou sete programas de fornecedores diferentes em uma única interface. A fabricante de instrumentos Tetsuwan Scientific testou 9.143 operações de dispensação de líquido, com ganho de 12% em precisão, enquanto empresas de robótica como Universal Robots, Danaher, Automata, Tecan e QIAGEN também integraram equipamentos ao padrão, ao lado da Amazon Web Services, que participa por meio de sua divisão de robótica Strands.
Por trás do padrão, uma aposta declarada em remédios
A Anthropic diz que o primeiro alvo do Model Hardware Standard é a pesquisa científica, onde cada instrumento costuma exigir um software próprio. O anúncio segue um resultado divulgado em agosto: de acordo com reportagem da CNN Brasil, o modelo Claude, nas versões Opus 4.8 e Mythos Preview, desenhou do zero componentes biológicos capazes de se ligar a alvos usados no desenvolvimento de medicamentos, com taxa de sucesso de 35,1%, acima da média de 10% a 15% do setor de biotecnologia.
Os laboratórios independentes Adaptyv Bio e Twist Bioscience produziram e testaram 1.320 dessas estruturas na prática, com resultado funcional contra 14 dos 15 alvos biológicos analisados. A empresa já havia lançado em junho a plataforma Claude Science, com acesso a mais de 60 bancos de dados científicos, e afirmou à época que pretende rodar programas próprios de descoberta de remédios voltados a doenças negligenciadas, área reforçada pela compra da startup Coefficient Bio por cerca de US$ 400 milhões.
Quando o padrão chega ao público
Por ora, o Model Hardware Standard está restrito a uma versão de pesquisa, compartilhada apenas com o grupo de laboratórios e fabricantes que participou dos testes de segurança. A Anthropic afirmou que pretende abrir o código do padrão depois de concluir essas avaliações, mas não deu prazo. Para universidades e empresas fora da lista de parceiros, o acesso à tecnologia depende, por enquanto, de esperar a liberação pública, o que deixa em aberto quando o ganho de velocidade relatado pelos primeiros usuários vai chegar a laboratórios menores ou fora dos Estados Unidos.
Fontes consultadas
- Folha Tec — Anthropic testa sistema que permite IA atuar em experimentos científicos e criação de remédios
- Anthropic — Previewing the Model Hardware Standard
- CNN Brasil — Anthropic divulga experimento com IA para criar novos remédios
- Olhar Digital — A IA vai sair da tela? Anthropic cria padrão para controlar máquinas físicas



