Uma juíza federal decidiu nesta quinta-feira (27) que o governo de Donald Trump agiu de forma ilegal ao classificar a Anthropic como risco à cadeia de fornecimento e ao impedir fornecedores das Forças Armadas americanas de negociar com a startup de inteligência artificial, segundo reportagem do Olhar Digital. A decisão é da juíza federal Rita Lin, da Justiça da Califórnia, em ação movida pela própria Anthropic contra o governo americano.
A disputa começou no fim de fevereiro, quando o Departamento de Defesa, sob comando do secretário Pete Hegseth, pressionou a Anthropic a retirar salvaguardas do uso militar de sua inteligência artificial. O executivo-chefe da empresa, Dario Amodei, recusou o pedido e citou risco de vigilância em massa contra americanos e de armas autônomas capazes de matar sem supervisão humana, de acordo com o Engadget.
Na sequência, Trump determinou que todas as agências federais parassem de usar o Claude, modelo de linguagem da Anthropic, com prazo de transição de seis meses. As negociações entre governo e empresa fracassaram, e a Anthropic virou a primeira companhia americana a receber a classificação de risco à cadeia de fornecimento. A medida travou um contrato de US$ 200 milhões da empresa com o Pentágono, segundo o Olhar Digital.
Por que a juíza considerou a punição ilegal
Na decisão, Rita Lin escreveu que o governo transformou a alegação de segurança nacional em instrumento para punir publicamente uma empresa crítica das exigências do Pentágono, o que fere a primeira emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão, segundo o Olhar Digital.
A frase é da juíza Rita Lin, segundo o Olhar Digital.
O que ainda trava a Anthropic no Pentágono
A vitória judicial é parcial. A Anthropic segue classificada como risco à cadeia de fornecimento enquanto corre uma segunda ação, movida no tribunal de apelações do circuito de Washington, sobre uma regra distinta usada pelo Pentágono para sustentar a mesma classificação, de acordo com o Engadget.
Mesmo que a empresa vença as duas disputas na Justiça, o Departamento de Defesa não fica obrigado a retomar contratos com a Anthropic. A decisão de voltar a negociar com a companhia continua sendo escolha do próprio Pentágono. O caso chamou atenção porque a Anthropic é a única entre as grandes empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos a impor, em público, limites explícitos ao uso militar de sua tecnologia, em vez de adaptar os modelos às exigências do governo.
O contrato que segue fora do alcance da Anthropic
O impasse com o governo americano ocorre em meio a uma fase de expansão financeira da Anthropic. A receita da empresa chegou a US$ 11,5 bilhões no segundo trimestre de 2026, com abertura de capital em bolsa prevista para ainda este ano, segundo o Engadget. Sem acesso ao contrato bloqueado pelo Pentágono, a companhia segue fora de uma fatia do mercado federal americano que concorrentes de tecnologia militar continuam podendo atender.



