domingo, 25 de outubro de 2026 · Edição diária

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EWZ despenca 18% em Nova York após reeleição de Lula e Itaú cai 13,65%

O principal fundo de ativos brasileiros negociado nos EUA recuou 17,97% no pós-mercado de domingo, a US$ 34,94. Analista ouvido pelo Poder360 projeta queda de 5% a 9% do Ibovespa na abertura de segunda-feira.

Painel de cotações de bolsa com ativos em queda
O EWZ, fundo que replica o índice MSCI Brazil, operou em forte baixa no pós-mercado de Nova York neste domingo (25). Foto: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O EWZ, principal ETF de ativos brasileiros negociado em Nova York, caiu 17,97% no pós-mercado deste domingo (25), cotado a US$ 34,94, após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo o Poder360. A CNN Brasil registrou queda de até 19% em algum momento da noite e de 17,75% por volta das 21h42, a US$ 35,03.

O fundo replica o índice MSCI Brazil, no qual financeiro, energia e materiais têm os maiores pesos. As cotações vieram de negociações fora do horário regular, com menos volume, e podem se afastar do que ocorrerá no pregão normal.

Itaú e Petrobras no vermelho

Os recibos de ações brasileiras listados nos EUA também recuaram, de acordo com o Poder360. O Itaú (ITUB) perdeu 13,65%. A Petrobras caiu 11,96% nas ordinárias (PBR), a US$ 23,15, e 10,33% nas preferenciais (PBR-A), a US$ 21,10. A Vale (VALE) cedeu 4,19%.

A diferença entre as quedas acompanha o peso de cada empresa na aposta eleitoral. Bancos e a estatal de petróleo são os papéis mais expostos a mudanças de política fiscal e de governança. A Vale, com receita ligada a exportações, reagiu menos.

A aposta desfeita desde o primeiro turno

O movimento reverte parte da alta que se formou em outubro. Segundo a CNN Brasil, o EWZ saiu de US$ 38,19 na sexta-feira anterior ao primeiro turno para US$ 43 em 5 de outubro, quando Flávio Bolsonaro (PL) apareceu à frente nas urnas. Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno, o fundo ainda subiu 1,77%.

Investidores viam uma vitória de Flávio como possível virada na política fiscal, com reorganização das contas públicas, controle da dívida bruta e alívio nos juros, de acordo com a CNN Brasil. O analista Gabriel Pinheiro, da GT Capital, disse ao Poder360 que o mercado passou o mês comprando a tese de alternância de poder e que a reeleição obriga a desfazer boa parte desse movimento.

O que esperar do pregão de segunda-feira

Pinheiro projeta queda forte do Ibovespa na abertura, entre 5% e 9%, para a faixa de 185 mil a 195 mil pontos. Em hipótese mais negativa, o índice poderia testar 170 mil pontos nas semanas seguintes, e ele não descarta o acionamento do circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações. Para o analista, bancos, varejo e empresas de consumo tendem a ser os setores mais pressionados.

O Poder360 não informou a cotação do dólar e aponta apenas que o câmbio e os juros futuros podem ficar mais voláteis nas próximas sessões. Pinheiro afirmou que o mercado vai cobrar prêmio de risco até enxergar um plano fiscal crível, o que, na prática, significa juros futuros mais altos e crédito mais caro para empresas e famílias enquanto o governo não apresentar sua trajetória para as contas públicas.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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