domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

42% dos bancos vão ampliar equipe de TI em até 22% na corrida por profissionais de IA

Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, feita pela Deloitte, mostra que desenvolvedor de software e engenheiro de inteligência artificial lideram a lista de cargos mais disputados pelos bancos, que hoje reservam 11% do quadro para tecnologia.

Profissionais de tecnologia trabalham em escritório de banco
Bancos brasileiros vão ampliar o quadro de tecnologia da informação em até 22% neste ano, segundo pesquisa da Febraban. Foto: Pexels / ThisIsEngineering

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou, na Febraban Tech 2026, dado de que 42% dos bancos brasileiros planejam ampliar o quadro de profissionais de tecnologia da informação em até 22% neste ano. A informação está na Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, feita pela consultoria Deloitte e divulgada em 25 de agosto durante o evento, que teve como tema "Agentes Inteligentes, liderança humana". A mesma pesquisa já havia revelado o investimento de R$ 6,9 bilhões do setor em inteligência artificial e nuvem neste ano.

Hoje, os profissionais de tecnologia da informação somam 11% do quadro de pessoal dos bancos no país, segundo o levantamento. Entre os cargos mais disputados pelas instituições estão desenvolvedor de software, engenheiro de inteligência artificial, engenheiro de dados, arquiteto corporativo e engenheiro de DevOps, profissional que integra o desenvolvimento de sistemas às operações de tecnologia no dia a dia dos bancos.

Onde entra o dinheiro da IA

Parte dessa disputa por talento explica o tamanho do investimento em inteligência artificial dentro dos bancos. A pesquisa aponta R$ 3 bilhões em IA, analytics e big data neste ano, avanço de 8% sobre os R$ 2,76 bilhões aplicados em 2025. Somado aos R$ 3,9 bilhões reservados para migração à nuvem, alta de 30% no período, o total de R$ 6,9 bilhões em IA e nuvem compõe uma fatia do orçamento geral de R$ 50 bilhões que o setor bancário vai gastar em tecnologia neste ano, segundo a Febraban.

A pesquisa também detalha por que os bancos tratam a inteligência artificial como prioridade de investimento. Segundo o levantamento, 92% das instituições apontam o ganho de velocidade na execução de tarefas rotineiras como o principal benefício da tecnologia hoje. Outras 52% citam redução de tempo e custo na análise de dados, e 48% relatam ganhos na detecção e prevenção de fraudes bancárias.

A corrida por quem treina a máquina

Para não depender só da contratação externa, os bancos também reforçam a formação interna dos times que já têm. O levantamento aponta R$ 29,4 milhões em treinamento de inteligência artificial e IA generativa neste ano, alta de 31% sobre o valor investido em 2025. Segundo a pesquisa, 70% dos bancos já desenvolvem estratégias de requalificação para a força de trabalho que está no quadro, e não só para quem está sendo contratado agora.

Quem tem vaga garantida no banco

A combinação de mais vagas abertas e mais dinheiro em treinamento concentra a disputa em um grupo específico de profissionais. Quem domina engenharia de dados e modelos de inteligência artificial larga na frente na negociação de salário e de benefícios dentro dos bancos, dado o tamanho da fatia de investimento reservada a essas áreas.

Para quem está fora desse grupo, a aposta das instituições em requalificação sinaliza outro caminho. Dominar ferramentas de inteligência artificial deixou de ser diferencial e passou a ser pré-requisito, tanto para quem quer entrar no setor bancário quanto para quem já ocupa uma vaga nele.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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