domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

No Congresso, IA já resume projetos e edita vídeo, mas Sâmia Bomfim recusa a ferramenta

Deputados e senadores usam inteligência artificial para resumir projetos, checar fatos e produzir conteúdo, mas o medo de alucinações fez o gabinete de Sâmia Bomfim manter a produção 100% artesanal, mostra levantamento do Poder360.

Fachada do Congresso Nacional em Brasília
Deputados e senadores relatam uso crescente da inteligência artificial nas tarefas diárias dos gabinetes, segundo levantamento do Poder360. Foto: Pexels / Magali Guimarães

A inteligência artificial passou a fazer parte da rotina de gabinetes na Câmara dos Deputados e no Senado, usada para resumir projetos de lei, transcrever entrevistas, cruzar dados e até editar vídeos e imagens, mostra levantamento do Poder360 publicado neste sábado (29).

Confirmaram o uso da ferramenta ao veículo a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que recorre à IA para otimizar tarefas do dia a dia, e o deputado Kim Kataguiri (SP), que usa a tecnologia para acompanhar a tramitação de propostas na Casa. No Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) aplica IA na análise de proposições legislativas, e o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) usa a ferramenta para organizar agendas temáticas e checar fatos antes de publicar textos.

Em nota ao Poder360, a equipe da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) resumiu como o gabinete trata a ferramenta:

Nem todo gabinete adota a tecnologia da mesma forma. O senador Sérgio Moro (PL-PR) restringe o uso da IA à produção e à edição de imagens, segundo o levantamento. Já a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) foi pelo caminho inverso: o gabinete dela optou por manter a produção de conteúdo fora do alcance da ferramenta. Um assessor da deputada chamou o trabalho de "100% artesanal", escolha que a equipe apresenta como forma de valorizar a criação profissional.

O medo da alucinação

O receio mais citado pelos gabinetes ouvidos pelo Poder360 é o da alucinação, quando a inteligência artificial apresenta uma informação falsa como se fosse verdadeira. Assessores também relatam casos de dados desatualizados, erros em pesquisas e roteiros com tom inadequado ou linguagem artificial e engessada. Há ainda o temor de que a facilidade de gerar texto resulte em uma quantidade grande de propostas sem densidade técnica.

As regras que os partidos criaram

Para conter esses riscos, siglas passaram a adotar protocolos internos. No Republicanos, qualquer texto produzido com apoio de IA passa pela revisão de dois a três assessores antes de ir ao ar, o uso de dados pessoais ou sensíveis é vetado, e toda informação final precisa ser conferida em fontes oficiais. O partido também usa um método batizado de "Voz Única", criado para preservar o estilo de escrita de cada parlamentar mesmo quando o texto passa pela ferramenta.

Quem treina os assessores para usar a IA

A capacitação dos gabinetes virou tarefa dos próprios partidos. O PL promove treinamentos periódicos sobre uso ético da inteligência artificial. O União Brasil oferece cursos de otimização da ferramenta para assessores, e o Republicanos programou, para 2026, seminários estaduais sobre tecnologia, inteligência artificial e proteção de dados. Nas siglas consultadas, o desenho é parecido: a IA funciona como apoio técnico, e a decisão política final permanece com o parlamentar e a equipe.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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