A Intelbras, maior fabricante brasileira de câmeras e equipamentos de segurança eletrônica, apresentou no Febraban Tech 2026, em São Paulo, um sistema de videomonitoramento corporativo baseado em inteligência artificial generativa. A informação foi dada por Thiago Henrique dos Santos, gerente de soluções em CFTV da empresa, em entrevista à Convergência Digital durante o evento, na quinta-feira (27). Segundo ele, o objetivo é substituir a revisão manual de gravações por alertas automáticos gerados em tempo real.
Pelo modelo descrito por Santos, as câmeras passam a interpretar cenas e emitir avisos quando identificam situações de risco, pessoas não autorizadas ou comportamentos fora do padrão. Hoje, disse o executivo, boa parte do monitoramento corporativo ainda depende de operadores que revisam gravações depois que um incidente já aconteceu, o que atrasa a resposta.
A empresa também troca filtros técnicos, como horário ou número da câmera, por buscas em linguagem natural. Um operador poderá pedir ao sistema que localize, por exemplo, a gravação de uma pessoa com capacete em determinado corredor, sem navegar por menus.
Da câmera de banco ao chão de fábrica
Segundo Santos, o reconhecimento facial, aplicação mais simples de inteligência artificial, já está amplamente difundido no Brasil. Os modelos de linguagem por trás dos alertas automáticos e das buscas em linguagem natural ainda estão em estágio inicial de adoção no país, mas ganham espaço rápido, impulsionados pela familiaridade do público com ferramentas como ChatGPT e Copilot, afirmou o executivo.
IA vem traduzindo o que vem acontecendo e criando alertas automáticos, disse Thiago Henrique dos Santos, gerente de soluções em CFTV da Intelbras.
Santos projeta sistemas autônomos capazes de aprender sozinhos a apontar riscos, como um funcionário que entra em uma área industrial perigosa sem monitoramento humano constante. Segundo ele, a tecnologia não exige troca da infraestrutura já instalada: a Intelbras embarca inteligência artificial em câmeras da linha VIPW, que combina Wi-Fi e IA nativa, e também oferece dispositivos locais e servidores para adicionar essas funções a equipamentos mais antigos.
Quem paga pela nova geração de câmeras
A aposta em inteligência artificial recai sobre o maior negócio da Intelbras. A área de segurança eletrônica, que reúne câmeras, alarmes, sensores e controle de acesso, respondeu por 60% da receita da companhia no segundo trimestre de 2026, o equivalente a R$ 690,47 milhões, segundo reportagem do site Seu Dinheiro. A empresa, fundada em 1976 e sediada em São José, em Santa Catarina, lidera o mercado nacional de segurança eletrônica com 43% de participação.
No primeiro trimestre de 2026, a Intelbras teve receita líquida de R$ 1,11 bilhão, alta de 20,6% ante o mesmo período de 2025, e lucro líquido de R$ 153,1 milhões, salto de 148,5%, de acordo com dados publicados pela ADVFN. No trimestre seguinte, o lucro somou R$ 158,3 milhões, avanço de 16,1% na comparação anual, mesmo com a receita recuando 7,8% na base anual, para R$ 1,15 bilhão.
A companhia também é distribuidora exclusiva da DJI Enterprise no Brasil e vende um pacote de inteligência artificial para drones batizado de Intelbras Defense IA, usado em ações de resgate, segundo o Seu Dinheiro. O movimento mostra que a aposta em IA generativa não fica restrita às câmeras fixas apresentadas no Febraban Tech.
A companhia já havia usado inteligência artificial em monitoramento de grande escala antes do evento bancário. Em 2024, forneceu toda a tecnologia de imagem e inteligência artificial para a segurança do show de Madonna em Copacabana, com dados transmitidos em tempo real para a Polícia Militar do Rio de Janeiro, segundo o Seu Dinheiro. Para bancos e indústrias que avaliam contratar o novo sistema, a decisão passa por pesar o custo de câmeras com IA nativa contra o de adaptar o equipamento já instalado, opção que a própria Intelbras diz sustentar.
Fontes consultadas
- Convergência Digital — Intelbras: IA permite tomada de decisão em tempo real no videomonitoramento
- Seu Dinheiro — Do PABX aos drones com reconhecimento facial: como a Intelbras (INTB3) se reinventou e hoje usa a IA para ir além das câmeras de segurança
- ADVFN News — Intelbras dispara após lucro saltar 148,5% no 1T26, e receita superar R$ 1,1 bilhão



