Uma pesquisa da consultoria Kearney, divulgada nesta sexta-feira (28) pelo Convergência Digital, mostra que apenas 29% das transformações corporativas conseguem entregar de forma consistente o valor financeiro planejado no início do projeto. O levantamento, batizado de Kearney Transformation Study 2026, ouviu 102 executivos seniores responsáveis por processos de transformação em empresas de portes e setores diferentes.
Entre os dados do estudo, mais de 80% dos executivos afirmam que menos da metade das iniciativas de inteligência artificial dentro de suas empresas produz um impacto financeiro que pode ser medido. O resultado aparece mesmo com o aumento dos investimentos em tecnologia e em programas de gestão de mudança, segundo a consultoria.
O obstáculo que pesa mais que o orçamento
De acordo com o estudo, a resistência interna à mudança aparece como o principal obstáculo às transformações, à frente de fatores como orçamento, prazos e limitações tecnológicas. A pesquisa aponta que quase três quartos dos líderes concentram a definição da estratégia na alta liderança, sem envolver de forma ampla as equipes que vão operar a mudança no dia a dia.
Apenas 12% dos executivos disseram desacelerar de forma intencional o ritmo das transformações para consolidar a adoção de uma etapa antes de avançar para a próxima. Para a Kearney, esse ritmo acelerado contribui para que a tecnologia seja implantada sem que a organização absorva os novos processos de trabalho na rotina das equipes.
As empresas que conseguem extrair retorno
O estudo identifica que empresas que desenvolvem capacidades internas desde o início do projeto, como treinamento de equipes e redesenho de processos, têm quase três vezes mais chances de obter o valor esperado da transformação. Segundo a consultoria, o fator que separa os projetos bem sucedidos dos demais não é o tamanho do investimento em tecnologia, mas a capacidade da empresa de mudar sua própria forma de trabalhar.
Jennifer McGee, sócia da Kearney e principal autora do relatório, disse que as empresas avançaram na velocidade de projetar e lançar transformações, mas não evoluíram na mesma proporção quando o assunto é fazer a mudança funcionar na rotina das equipes, de acordo com o Convergência Digital.
O investimento que segue sem medir retorno
Na prática, o levantamento indica que empresas continuam ampliando o orçamento de inteligência artificial sem conseguir apontar, na maior parte dos casos, qual parcela desse gasto voltou em receita, corte de custo ou ganho de produtividade. A lacuna deixa executivos de tecnologia e de finanças sob pressão para justificar novos aportes em um momento de orçamento mais disputado dentro das empresas.
Para a Kearney, reverter o quadro depende de reduzir o número de iniciativas lançadas ao mesmo tempo e priorizar a capacitação das equipes que vão usar a inteligência artificial no dia a dia, antes de expandir o investimento para novas frentes de automação.



