O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a mais de um interlocutor que considera Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, a maior traição política que sofreu. A informação é do Poder360, com base em relatos de aliados ouvidos pelo site.
Nas mesmas conversas, Lula citou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci como a segunda maior traição. Palocci afirmou, nas investigações da Lava Jato, que Lula teria recebido propina.
Caso Master e Campos Neto
O primeiro motivo da contrariedade é o escândalo do Banco Master. A estratégia do PT era deslocar a responsabilidade pelas ações de Daniel Vorcaro, fundador do Master, para o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto.
Galípolo foi na direção contrária. Em audiência na CPI do Crime Organizado, em 9 de abril de 2026, disse: "Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos".
A fala atingiu a estratégia petista. Galípolo foi indicado pelo governo Lula para a diretoria e depois para a presidência do BC. Em 15 de abril, Lula cobrou publicamente outra explicação. Segundo o Poder360, a resposta que o Planalto queria não veio.
Pesquisa PoderData/Aya de 25 de junho apontou que 54% dos entrevistados atribuem a responsabilidade do escândalo a Lula e 29% ao governo de Jair Bolsonaro. Lula culpa Galípolo por esse resultado, de acordo com os relatos.
Selic em 14% no ano eleitoral
O segundo ponto é a manutenção dos juros altos. Lula avalia que havia condições de reduzir a Selic em ritmo mais rápido. Em janeiro, a taxa estava em 15%. Após quatro cortes, chegou a 14%. O Poder360 registra que ainda é a taxa de juros real mais alta do mundo.
Em fevereiro, Lula cobrou publicamente que Galípolo "consertasse" os juros. O ritmo foi considerado lento pelo petista. Ele entende que, se o BC tivesse reforçado o discurso do PT sobre Campos Neto e cortado juros com mais velocidade, sua aprovação estaria melhor agora.
Na pesquisa PoderData/Aya divulgada na quinta-feira (27), Lula tem 45% das intenções de voto no segundo turno ante 44% de Flávio Bolsonaro, empate técnico dentro da margem.



