domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Troca de chip acende alerta de fraude para bancos e operadoras que cruzam dados do celular

O Febraban Tech 2026 reuniu executivos da Claro empresas e da Trillia, unidade da B3, para mostrar como o Open Gateway, responsável por mais de 100 milhões de consultas no ano passado, ajuda os bancos a identificar fraudadores sem travar quem já é cliente de confiança.

Mão segurando smartphone com ícone de segurança digital sobre tela de aplicativo bancário
Bancos e operadoras cruzam dados de rede móvel para tentar flagrar fraudadores sem exigir senha extra do cliente legítimo. Foto: Pexels / RDNE Stock project

Bancos e operadoras de telefonia começaram a cruzar dados de rede móvel para identificar um fraudador antes da conclusão de uma transação, sem impor barreiras extras a quem já é cliente confiável. A prática foi apresentada por executivos da Claro empresas e da Trillia, unidade de risco e compliance da B3, em painel do Febraban Tech 2026, evento anual da Federação Brasileira de Bancos realizado em 28 de agosto, segundo reportagem do Convergência Digital.

João Del Nero, head de Data Analytics da Claro empresas, afirmou no painel que há registros de fraude física desde o século 16 e que o fenômeno ganhou velocidade com a migração das transações para o ambiente digital, de acordo com o Convergência Digital.

Da senha ao comportamento: por que a validação mudou

Guilherme Mendonça, head da unidade de risco e compliance da Trillia, ligada à B3, disse que a inteligência artificial elevou o crime digital a outra escala de operação.

Segundo ele, checar a identidade apenas no momento do cadastro não basta mais. O executivo defendeu que os bancos passem a monitorar a continuidade do vínculo entre cliente e conta, como o motivo pelo qual uma pessoa pede crédito em determinado momento, e não somente o documento apresentado na abertura da conta.

O fraudador que assume a identidade da vítima

Ageu Dantas, também head de Data Analytics da Claro empresas, disse que o criminoso atual não se limita a roubar senha. Ele assume a identidade da vítima no ambiente digital, seja pela troca do chip do celular, seja por vídeo e áudio feitos com deepfake, segundo o Convergência Digital.

A resposta das operadoras é o Open Gateway, iniciativa global que padroniza APIs para que os bancos façam validações direto na rede celular, como confirmar se o aparelho e o chip usados numa transação são os mesmos historicamente ligados àquela linha. No ano passado, essas APIs somaram mais de 100 milhões de consultas, segundo dado apresentado no painel.

Menos trava para quem é cliente de verdade

A lógica do modelo, chamado pelos executivos de validação silenciosa, usa sinais de rede, como troca recente de aparelho ou de linha, sem pedir senha ou código extra de quem já é cliente com histórico confiável. Segundo Mendonça, o foco do modelo é elevar a taxa de conversão das transações de clientes legítimos, mais do que aumentar o número de fraudadores identificados.

A convergência entre banco e operadora explica a mudança de estratégia. As instituições financeiras acompanham o comportamento transacional do cliente, enquanto as operadoras enxergam o relacionamento dele com a própria rede móvel. Juntas, essas duas bases de dados reduzem a chance de um fraudador completar uma transação sem levantar suspeita e evitam etapas extras de verificação para quem não fez nada de errado. Para o cliente que usa o aplicativo do banco todos os dias, a expectativa dos executivos é que essa camada extra de checagem fique invisível, aparecendo só quando o comportamento do aparelho ou da linha destoa do padrão de quem realmente é dono da conta.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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