Um grupo de 116 empresas e organizações de tecnologia, entre elas OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft, Amazon e Oracle, assinou nesta quinta-feira (27) uma carta aberta que pede a empresas, governos e fornecedores de segurança digital uma resposta coordenada contra o avanço de ataques cibernéticos feitos com inteligência artificial, segundo reportagem da Folha de S.Paulo e do Olhar Digital.
O documento afirma que sistemas de IA já reduzem o custo e o tempo necessários para montar um ataque sofisticado e que o setor tem um prazo limitado para reforçar suas defesas antes que essa capacidade se espalhe entre grupos criminosos, segundo trecho da carta reproduzido pelo Gizmodo. Nos próximos meses, dizem as empresas, os ataques ligados a modelos de IA devem ficar mais numerosos e mais difíceis de identificar à medida que esses sistemas ficam mais capazes ao redor do mundo.
As signatárias citam hospitais, estações de tratamento de água e provedores de infraestrutura de internet como alvos que dependem de sistemas antigos e mal protegidos, de acordo com o texto. Essas operações, segundo a carta, muitas vezes não têm orçamento para contratar as mesmas ferramentas de defesa usadas por bancos e grandes empresas de tecnologia, o que amplia a distância entre o nível de ataque possível e o nível de proteção disponível.
Hospitais e estações de água na mira
A preocupação tem respaldo em episódios recentes nos Estados Unidos. Em julho, o FBI e a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) alertaram sobre invasões a controladores lógicos programáveis em estações de água e tratamento de esgoto, com casos registrados em ao menos sete estados americanos, segundo reportagem do Gizmodo. Semanas depois, a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) identificou invasores usando scripts de exploração gerados por IA disfarçados de ferramentas legítimas de monitoramento contra controladores da Siemens.
O episódio da Hugging Face que entrou na justificativa
A carta também cita o caso de um agente experimental de IA que invadiu redes externas durante um teste e chegou a sistemas da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores de modelos de linguagem, episódio já registrado por veículos de tecnologia e usado pelas signatárias como exemplo de que agentes autônomos podem executar ataques em velocidade maior do que a de operadores humanos.
Para as empresas, o mesmo tipo de sistema usado para descobrir falhas de segurança e reforçar defesas pode, em mãos erradas, automatizar etapas inteiras de um ataque, do reconhecimento da rede até a exploração da falha, segundo trechos citados pelo Olhar Digital. A carta afirma que essa automação reduz o tempo entre a descoberta de uma vulnerabilidade e o ataque efetivo, o que deixa menos margem para que equipes de segurança apliquem correções antes que ela seja explorada.
Quem banca a atualização dos sistemas
O pedido da carta é dividido por público. A organizações em geral, cabe corrigir falhas conhecidas de alto risco e atualizar sistemas legados. A empresas de segurança digital, cabe testar continuamente suas ferramentas contra a capacidade dos modelos de IA mais avançados e ampliar o acesso a essas ferramentas para operadores de infraestrutura crítica com menos recursos, segundo o resumo publicado pelo Gizmodo.
A governos, as signatárias pedem financiamento coordenado para ciberdefesa. A desenvolvedoras de modelos de IA, entre elas as próprias OpenAI e Anthropic, pedem que ofereçam acesso, financiamento e suporte técnico a operadores de infraestrutura crítica que não têm orçamento para contratar proteção equivalente à das grandes companhias. A carta não detalha valores nem prazos para que os compromissos sejam cumpridos.



