domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Horário eleitoral estreia com o TSE ainda sem regra fechada para o uso de IA

O horário eleitoral gratuito para presidente começa nesta sexta-feira (28) sem que o TSE tenha fechado os limites do uso de inteligência artificial nas peças de campanha, quase duas semanas depois de uma reunião de ministros terminar sem acordo, em 18 de agosto.

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília
O TSE ainda não fechou os limites do uso de inteligência artificial nas propagandas eleitorais de 2026. Foto: Pexels / Diego Marcel

O horário eleitoral gratuito na TV e no rádio para o primeiro turno da eleição presidencial começa nesta sexta-feira, 28 de agosto, e o Tribunal Superior Eleitoral ainda não fechou os limites para o uso de inteligência artificial nas peças de campanha, segundo o g1. As emissoras entram no ar sem que a Corte tenha dito a partidos e candidatos o que pode e o que não pode em conteúdo gerado por IA.

A discussão é mais ampla do que o processo movido pelo PT contra o vídeo com inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro usado na campanha do filho, Flávio Bolsonaro, que já tem data prevista de julgamento. O que falta decidir agora é a regra geral que vai valer para qualquer candidato que aparecer na tela a partir de hoje. Uma reunião para alinhar os ministros sobre o tema ocorreu em 18 de agosto, depois de ser adiada de uma data anterior, mas terminou sem consenso e sem data marcada para o julgamento que deve fixar essas regras, de acordo com a CNN Brasil. O encontro foi convocado pelo presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, para ouvir a posição de cada colega sobre os riscos jurídicos da tecnologia no processo eleitoral.

Onde os ministros discordam

Segundo a CNN Brasil, os ministros Nunes Marques e André Mendonça defendem abrir espaço para o que chamam de IAs do bem, um uso da tecnologia que não coloca em risco a lisura da eleição, como edição de imagem ou dublagem sem intenção de enganar o eleitor. Já a ministra Estela Aranha vinha liderando o entendimento de manter a proibição ampla a qualquer conteúdo sintético capaz de confundir quem assiste à propaganda.

A divergência trava a votação e deixa em aberto que tipo de vídeo, áudio ou imagem feita com inteligência artificial pode entrar no ar no horário eleitoral que estreia nesta sexta-feira. Sem um posicionamento fechado do plenário, cada ministro segue livre para julgar as próximas denúncias com critérios próprios.

O que já está proibido, mesmo sem a régua final

Enquanto o plenário não fecha os detalhes, seguem valendo regras já aprovadas pelo TSE para a campanha de 2026: a proibição de deepfake que manipule imagem, voz ou fatos para enganar o eleitor, a exigência de aviso claro quando uma peça usa inteligência artificial e a restrição ao uso de robôs para contato automatizado com eleitores. As plataformas também são obrigadas a remover conteúdo de desinformação eleitoral quando notificadas pela Justiça.

O g1 procurou os cinco maiores partidos para saber como cada legenda pretende usar a tecnologia na propaganda que começa nesta sexta-feira. A apuração mostra que as campanhas chegam ao ar sem um manual único do tribunal, decidindo internamente, caso a caso, o quanto arriscar em peças com IA generativa.

Quem corre risco de impugnação

Sem uma resolução fechada, cada peça de campanha com inteligência artificial generativa vira um risco calculado. Partidos e candidatos que forem além do que os ministros consideram aceitável podem virar alvo de ação no próprio TSE, como já ocorreu com o vídeo de Bolsonaro usado na campanha do filho. Segundo a CNN Brasil, a tendência é que a Corte trate os próximos casos um a um, conforme as denúncias chegarem ao tribunal, sem uma regra única fechada antes da votação.

A expectativa, segundo o g1, é que o plenário do TSE julgue os limites do uso da tecnologia na campanha na semana que vem. Até lá, o horário eleitoral segue no ar e cada legenda decide sozinha até onde vai com inteligência artificial nas próprias peças.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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