Um levantamento da Catho, plataforma gratuita de vagas de emprego, mostra que o número de oportunidades que exigem uso ou conhecimento de inteligência artificial cresceu em 10 dos 12 setores analisados entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O dado indica que a exigência por habilidades em IA deixou de se concentrar nas equipes de tecnologia e passou a aparecer em áreas como Direito, Comunicação e Marketing.
A maior alta percentual foi registrada na área Jurídica. Segundo a Catho, o número de vagas com exigência relacionada a IA nesse setor passou de 40, entre janeiro e julho de 2025, para 138 no mesmo período deste ano, crescimento de 245%. Em Comunicação e Marketing, o número de oportunidades também triplicou no intervalo, de acordo com o levantamento.
Por que o setor jurídico lidera o ranking
O salto percentual é alto, mas as 138 vagas identificadas pela Catho em 2026 ainda representam uma fatia pequena diante do total de posições abertas todos os anos na área jurídica no Brasil. O número confirma, ainda assim, que escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de empresas passaram a listar IA como requisito nos anúncios de vaga.
Um levantamento maior confirma a tendência
O movimento identificado pela Catho aparece também, em escala maior, no Barômetro Global de Empregos em IA, estudo da consultoria PwC que analisou cerca de 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes. No Brasil, o número de vagas expostas à automação por inteligência artificial passou de 19 mil em 2021 para 73 mil em 2024, alta superior a 300%, segundo o levantamento.
A PwC também registrou que os salários dessas vagas cresceram duas vezes mais rápido que os de cargos sem exposição a IA, e que as competências exigidas nessas posições mudam 66% mais rápido que nas demais ocupações do mercado brasileiro. Camila Cinquetti, sócia responsável pela consultoria de Workforce da PwC Brasil, disse que as empresas têm usado a tecnologia para elevar a produtividade das equipes, mais do que para reduzir o quadro de pessoal.
O currículo que muda para quem disputa a vaga
Os dois levantamentos convergem para o mesmo ponto: a exigência por conhecimento de IA deixou de ser exclusividade dos times de tecnologia e passou a valer como critério de seleção em áreas como Direito, Comunicação e Marketing. Para profissionais dessas áreas, a mudança altera o currículo que compete por uma vaga, com o domínio de ferramentas de IA generativa somado às exigências tradicionais da profissão.
Para as empresas, o dado da Catho e o da PwC apontam na mesma direção: a cobrança por essas competências deve se espalhar para outros departamentos nos próximos meses, em ritmo mais rápido do que o observado até aqui em cargos fora da área de tecnologia.



