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Haddad diz que nunca falou com Vorcaro e se frustra com Galípolo no BC

Em entrevista ao SP1 nesta segunda (14), o candidato do PT ao governo de SP negou qualquer contato com o ex-banqueiro, pediu abertura dos sigilos do Master e disse que a política monetária está excessivamente apertada.

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo
Fernando Haddad, em entrevista nesta segunda (14), negou contato com Daniel Vorcaro e criticou a condução dos juros no Banco Central. Foto: Ricardo Stuckert / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (14), em entrevista ao telejornal SP1 da TV Globo, que nunca teve contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo do Banco Master. Segundo ele, a equipe já alertava que Vorcaro era "um problema grave" e que o caso chegou a R$ 60 bilhões, na maior fraude bancária do país.

"Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida. Nunca estive com ele no mesmo ambiente. Nunca recebi uma mensagem nem um telefonema dele", disse Haddad. O petista afirmou ainda que Vorcaro não financiou sua campanha e apontou doações de 2022: R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal adversário em São Paulo. Citou também negócios do ex-banqueiro com três ex-ministros do governo Bolsonaro.

Sigilo do Master e origem no BC

Haddad defendeu a abertura dos sigilos das investigações sobre o Master antes da eleição. "A Justiça não pode sonegar informação do cidadão. Abre tudo. Quem tiver que responder, responda", declarou. No mesmo bloco, associou a origem do problema ao Banco Central na gestão de Roberto Campos Neto. "Tem um problema grave no Banco Central, porque nasceu no Banco Central do Roberto Campos, indicado pelo Jair Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro, e ele foi liquidado e preso na nossa gestão", afirmou.

Frustração com Galípolo e juros de 14%

Questionado sobre a política econômica e a dívida pública, Haddad disse que a queda da dívida exige juros menores. "Os juros não se justificam. O Banco Central é autônomo, mas não se justificam juros de 14% para uma inflação de 4%", afirmou. Sobre Gabriel Galípolo, atual presidente do BC indicado no governo Lula, admitiu descontentamento: "Eu tenho me frustrado com a política monetária. Acho que a política monetária está excessivamente apertada, desnecessariamente". Ressaltou que, depois da indicação, o dirigente tem mandato e "faz da cabeça dela", e que suas conversas com a autoridade monetária se limitam a dados e argumentos.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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