Renan Santos, candidato à Presidência pela sigla Missão, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de bêbado e de ladrão no debate promovido pela Band e pelo Estadão em 23 de agosto. A campanha do petista reagiu à fala acionando o Tribunal Superior Eleitoral, segundo o Jornal de Brasília. Quatro dias depois, o mesmo candidato levou a jornalistas de O Globo, Valor Econômico e CBN um plano fiscal que promete economia de mais de R$ 1 trilhão até 2031.
No debate da Band, em São Paulo, Santos chegou à sede do Grupo Bandeirantes com fraldas estampadas com os nomes de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que não compareceram ao encontro, segundo reportagem da própria emissora. Chamou os dois de imbecis e corruptos, disse que não têm coragem de honrar a democracia da qual falam e afirmou que Flávio deveria ter vindo de fralda. Elogiou a presença dos concorrentes Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), únicos a comparecer ao debate.
Na sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, na quinta-feira (27), Santos disse não se arrepender das falas contra Lula. Reconheceu, porém, que não repetiria a mesma postura em outro debate, de acordo com o Jornal de Brasília.
O plano fiscal levado à imprensa econômica
Um dia antes, na sabatina do Jornal Nacional, comandada pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, Santos já havia detalhado a agenda que levaria depois à imprensa de negócios. Segundo o InfoMoney, ele disse que o corte de gastos somado ao crescimento do Produto Interno Bruto seria capaz, no mínimo, de estabilizar a dívida pública.
Pelo plano de governo registrado no TSE, batizado de Livro Amarelo, a economia fiscal prevista passa de R$ 1 trilhão até 2031. As medidas incluem a desindexação de benefícios previdenciários do salário mínimo, a desvinculação dos pisos de saúde e educação das receitas, que passariam a ser corrigidos apenas pela inflação, e o fim dos supersalários no funcionalismo, de acordo com a Gazeta do Povo. O documento prevê ainda dobrar o investimento em infraestrutura, dos atuais 2% do PIB para pelo menos 4%, recurso hoje direcionado a ferrovias, rodovias, portos, aeroportos e capacidade de energia.
Na sabatina do Jornal Nacional, Santos afirmou que o país vai precisar de outra reforma da Previdência e disse que os cortes de gastos ficariam vinculados ao investimento em infraestrutura, segundo o InfoMoney. Questionado sobre o risco de arbitrariedade numa política de segurança pública nos moldes do salvadorenho Nayib Bukele, respondeu assim, de acordo com a Rádio Tupi:
Quem vai bancar o corte de R$ 1 trilhão
O plano depende da aprovação do Congresso, onde as propostas de desindexar o salário mínimo e rever os pisos de saúde e educação enfrentam resistência histórica de bancadas ligadas a aposentados, servidores públicos e prefeitos, sobretudo no Norte e no Nordeste, região que a própria campanha trata como prioridade para a criação de Zonas Econômicas Especiais. Sem essas mudanças aprovadas, a meta de estabilizar a dívida pública e dobrar o investimento em infraestrutura fica sem a fonte de financiamento anunciada pela campanha. Nas pesquisas de intenção de voto, Santos ainda aparece atrás de Lula e do senador Flávio Bolsonaro, os mesmos adversários alvo das fraldas levadas ao debate da Band.
Fontes consultadas
- O Globo — Análise: Renan Santos, para o algoritmo, indignação. Para o PIB, powerpoint
- Band — Renan Santos leva fraldas para debate da Band e critica Flávio e Lula
- Jornal de Brasília — Renan Santos diz não se arrepender de falas contra Lula em debate, mas que não repetiria
- Rádio Tupi — Durante sabatina, Renan Santos defende política de 'prendeu, matou': 'O sangue tem que jorrar'
- InfoMoney — Renan Santos diz que fará cortes de gastos para estabilizar dívida pública
- Gazeta do Povo — Economia: o que Renan Santos promete em seu plano de governo



