domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Renan Santos chama Lula de bêbado em debate e promete corte de R$ 1 trilhão em gastos na sabatina

Candidato do partido Missão levou fraldas ao debate da Band para provocar Lula e Flávio Bolsonaro e, dias depois, apresentou à imprensa econômica um plano que promete economia de R$ 1 trilhão até 2031 e dobra do investimento em infraestrutura para 4% do PIB.

Renan Santos discursa durante debate de candidatos à Presidência
Renan Santos (Missão) no debate promovido pela Band e pelo Estadão, em 23 de agosto de 2026. Foto: Leonardo Carraro / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Renan Santos, candidato à Presidência pela sigla Missão, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de bêbado e de ladrão no debate promovido pela Band e pelo Estadão em 23 de agosto. A campanha do petista reagiu à fala acionando o Tribunal Superior Eleitoral, segundo o Jornal de Brasília. Quatro dias depois, o mesmo candidato levou a jornalistas de O Globo, Valor Econômico e CBN um plano fiscal que promete economia de mais de R$ 1 trilhão até 2031.

No debate da Band, em São Paulo, Santos chegou à sede do Grupo Bandeirantes com fraldas estampadas com os nomes de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que não compareceram ao encontro, segundo reportagem da própria emissora. Chamou os dois de imbecis e corruptos, disse que não têm coragem de honrar a democracia da qual falam e afirmou que Flávio deveria ter vindo de fralda. Elogiou a presença dos concorrentes Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), únicos a comparecer ao debate.

Na sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, na quinta-feira (27), Santos disse não se arrepender das falas contra Lula. Reconheceu, porém, que não repetiria a mesma postura em outro debate, de acordo com o Jornal de Brasília.

O plano fiscal levado à imprensa econômica

Um dia antes, na sabatina do Jornal Nacional, comandada pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, Santos já havia detalhado a agenda que levaria depois à imprensa de negócios. Segundo o InfoMoney, ele disse que o corte de gastos somado ao crescimento do Produto Interno Bruto seria capaz, no mínimo, de estabilizar a dívida pública.

Pelo plano de governo registrado no TSE, batizado de Livro Amarelo, a economia fiscal prevista passa de R$ 1 trilhão até 2031. As medidas incluem a desindexação de benefícios previdenciários do salário mínimo, a desvinculação dos pisos de saúde e educação das receitas, que passariam a ser corrigidos apenas pela inflação, e o fim dos supersalários no funcionalismo, de acordo com a Gazeta do Povo. O documento prevê ainda dobrar o investimento em infraestrutura, dos atuais 2% do PIB para pelo menos 4%, recurso hoje direcionado a ferrovias, rodovias, portos, aeroportos e capacidade de energia.

Na sabatina do Jornal Nacional, Santos afirmou que o país vai precisar de outra reforma da Previdência e disse que os cortes de gastos ficariam vinculados ao investimento em infraestrutura, segundo o InfoMoney. Questionado sobre o risco de arbitrariedade numa política de segurança pública nos moldes do salvadorenho Nayib Bukele, respondeu assim, de acordo com a Rádio Tupi:

Quem vai bancar o corte de R$ 1 trilhão

O plano depende da aprovação do Congresso, onde as propostas de desindexar o salário mínimo e rever os pisos de saúde e educação enfrentam resistência histórica de bancadas ligadas a aposentados, servidores públicos e prefeitos, sobretudo no Norte e no Nordeste, região que a própria campanha trata como prioridade para a criação de Zonas Econômicas Especiais. Sem essas mudanças aprovadas, a meta de estabilizar a dívida pública e dobrar o investimento em infraestrutura fica sem a fonte de financiamento anunciada pela campanha. Nas pesquisas de intenção de voto, Santos ainda aparece atrás de Lula e do senador Flávio Bolsonaro, os mesmos adversários alvo das fraldas levadas ao debate da Band.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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